terça-feira, 18 de novembro de 2008

Quis dar-te o Mundo
e o que nele contém,
mas não consegui,
dei-te o que fui capaz.
Amor,
carinho,
risos,
valores,
emoções,
lágrimas até...
Olho para trás
e poderia ter dado
tudo em dobro
e melhor...
mas mais uma vez
não fui capaz.
Das dúvidas que tive,
das angustias que senti,
não fui capaz de sair
para te poder dar
o mais que merecias.
Hoje
continuo a querer
dar-te o Mundo
e já não sei se posso,
mas em dobro
continuo a dar
amor,
carinho,
risos,
valores,
emoções
e lágrimas também.
A certeza
que tenho meu amor
é que o melhor que te pude dar
foi VIDA.

MIA
18 Novº2008

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Se

Se ao menos
por um dia
pudesse respirar
o ar que tu respiras...
Se ao menos
por uma hora
pudesse estar
nos teus braços...
Se por um instante
pudesse fazer
parte de ti...
Como a luz
teria mais brilho,
o sol
seria mais quente
e o Mundo
muito melhor.
O rio
correria mais lento,
as folhas
não caíriam de mortas
e tudo seria
diferente.
Se ao menos
por um segundo
eu pudesse voar,
meu amor,
elevaria as minhas asas
e pousaria
no teu peito.
Mas
se tudo o que quero
se resumisse
a ti,
que vazia seria
a minha existência.

MIA
17 Novº2008

domingo, 16 de novembro de 2008

se pudesse por um dia

Hoje
não quero voar,
falar ou até
respirar.
Quero
a quietude
dos momentos,
o silencio
das reflexões,
a sombra
das dúvidas...
Não me importo
do sol,
do frio
ou mesmo
d'ir ver o mar...
Hoje
quero hibernar
do que me rodeia.
Se pudesse,
morreria
por um dia,
uma hora,
um momento...
Se quisesse
renasceria
para ter paz...
Mas hoje
simplesmente
não quero
sair de mim.

MIA
16 Novº2008

sábado, 15 de novembro de 2008

O meu amor, tem um jeito....

Beatriz apesar de filha de pais continentais, tinha nascido nos Açores. O pai foi militar de carreira e parte da sua vida militar fora feita em S.Miguel.
Bia nasceu e cresceu em Ponta Delgada e só quando foi para a faculdade é que abandonou a ilha. Anos mais tarde, já casada pela segunda vez e com três filhos, havia de voltar ao sítio onde tinha sida tão feliz. Sempre tinha falado aos filhos do carinho que tinha por aquela terra e numa oportunidade profissional para exercer durante seis anos, decidiu avançar com o projecto.
Reencontrou velhas amizades e a família adorou a estadia por lá. Ao fim daqueles seis anos e quando regressou de novo ao Porto, prometeu a ela mesmo que S.Miguel seria sempre o seu refúgio. Tinha nela a nostalgia e o mistério das Ilhas de Bruma e era ali que se reencontrava.
Tempos depois e já divorciada pela segunda vez, voltava com frequencia para carregar baterias. Numa dessas pequenas férias encontrou o seu actual companheiro, um grego, que acabaria por deixar tudo por ela. Mais velho, mais tranquilo, com uma vivência riquíssima, viria a dar-lhe a tranquilidade afectiva que elaprecisava.
Mas nada na vida é definitivo e a paixão secreta que vivia agora com Bernardo, vinha de novo
criar-lhe uma instabilidade emocional que ela julgava morta, mas que afinal só estava adormecida.
Com Bernardo nada era tranquilo...talvez fosse isso que os prendia além do amor.
Eles eram a parte da outra metade que nunca tinham encontrado.

MIA
15 Novº2008

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O meu amor, tem um jeito....

Para continuar a escrever a sua história e como já estava a ficar longa, achou por bem dar nome às personagens.
Na vida real ela e a sua paixão tinham as mesmas iniciais no nome. Até nisso estranhamente coincidiam.
No romance iria manter o príncipio e decidiu chamar-se de Beatriz e a ele de Bernardo, mas como adorava nick names, ficaria simplesmente Bia...
Tinha passado um mês sobre o acidente de Bernardo e ainda não tinham voltado a encontrar-se fisicamente.
Logo que ele foi capaz de conduzir de novo marcaram um encontro no sítio do costume. Desta vez ela queria ser a primeira a chegar. Como não tinha voltado a vê-lo desde a visita no hospital, queria estar atenta a alguma dificuldade física que ele ainda pudesse ter.
Estava uma manhã gélida mas belíssima. Saíu do carro, protegeu-se do frio e foi caminhando por baixo dos castanheiros ainda carregados, pontapeando algumas castanhas caídas. Desde a infância que não tinha perdido aquele hábito...
Por fim avistou um carro desconhecido, mas imaginou logo que fosse ele e não se enganou. Foi ao
seu encontro, abriu-lhe a porta e ajudou-o a sair ainda apoiado nas canadianas. De forma protectora apertou-lhe o blusão, beijou-o com ternura e foram entrando.
No meio de muitas perguntas quase sem resposta continuavam a sentir uma enorme atracção que os fazia viver aquele amor. Desta vez a iniciativa passava por ela e à medida que o ajudava a despir-se ia descobrindo as cicatrizes que o marcavam. Mesmo com algumas limitações físicas amaram-se com a mesma entrega e alegria de sempre e até algumas dificuldades os fazia rir muito. E isso era das coisas também que os prendia, encontrar humor mesmo nos momentos mais difíceis.
Hoje, talvez pelas limitaçoes dele, a imaginação não voou tão alto e ficaram mais quietos. Não deram grandes passeios junto ao rio, mas conversaram muito mais e não fossem as marcas, nada diria que a ausência forçada tinha sido tão gande.
Ele continuava a dizer-lhe o quanto precisava dela para viver e que aquele momento de loucura no hospital tinha sido do outro mundo... afinal não era por acaso que aquela atracção se mantinha tão forte.
Mas as horas voavam e antes da despedida ela disse-lhe que iria uns dias a Paris em trabalho, mas que sempre que possível daria notícias nem que fosse com sinais de fumo. Mesmo continuando a nada prometerem ou obrigar-se, tinham percebido que tanto silêncio poderia ainda ser mais comprometedor...
Um longo beijo de despedida, desejos de boa viagem e um até logo para encurtar a distância. Desta vez e mesmo sem terem combinado, ambos olharam para trás para se verem mais uma vez...começavam a ter consciência da realidade que viviam e de possíveis perdas.

MIA
14Novº2008

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O meu amor, tem um jeito....

Hoje acordou adoentada. Estava com febre e aquela maldita constipação teimava em continuar.
Levantou a persiana e apesar do sol lá fora sentiu um arrepio de frio. Ligou a televisão, viu as notícias e a metereologia previa temperaturas baixíssimas. Afinal tinha feito bem ficar em casa, pois com aquele tempo, de certeza que agravaria o seu estado.
Esperou pelas nove horas e telefonou à secretária para desmarcar toda a agenda daquele dia. Preparou um pequeno almoço frugal mas bem quente e voltou a deitar-se. O corpo pedia-lhe calor e descanso.
Era raríssimo estar doente e quando acontecia ficava sempre muito vulnerável. Precisava de mais atenção, mais carinho, mais tudo, só que os outros nem sempre estavam disponíveis para isso e então ela sentia-se a pessoa mais só do mundo e ficava triste.
Por instantes mergulhou em pensamentos e deixou-se dormir de novo. Quando acordou já a manhã ia alta e apesar do íncomodo continuar decidiu levantar-se. Não queria permanecer no quarto e transferiu-se de armas e bagagens para a sala, afinal não estaria tão confortável no sofá, mas assim não se sentia prisioneira. Odiava sentir-se enjaulada, ainda por cima por obrigação.
Levou os telefones atrás dela e sempre que os olhava dava-lhe uma vontade enorme de se pôr a falar com toda a gente...aquela solidão contrariada tornava-a mentalmente irrequieta.
Os filhos foram telefonando para ver como estava, o seu amor também, mas...aquela voz que naquele momento gostaria também de ouvir estava ausente e nem sequer sabia onde.
Conscientemente pôs-se a questionar toda a sua vida.
Era filha única de Pais muito queridos e que a saudade não esquecia, tinha tido uma infância e juventude em liberdade e felizes, sido boa aluna, boa atleta, uma capacidade pouco comum para fazer novos conhecimentos, enfim, não encontrava traumas para trás que pudesse questionar.
Tinha uma dúvida ou certeza até, para o facto de ter sido filha única. Apesar de gostar de momentos de solidão, sempre teve necessidade de criar cenários onde os outros se sentissem bem sem disputas, discussões, guerras desnecessárias...e aí tornou-se lider das brincadeiras, das ideias e até da inconsciência das coisas mais graves. Nada para ela tinha a mesma gravidade que para os outros e sempre dava a volta por cima e com finais felizes. Quando para os outros havia escuridão ela encontrava sempre estrelas a brilhar.
Já tantos anos tinham passado e continuava sempre com a mesma luz dentro dela.
Sempre sentiu que era ligeiramente diferente dos outros, pelo menos em pensamento. E realmente era diferente, tanto para o bem como para o mal.
Mais teórica que prática, um poder de análise fora de comum, um humor a raiar o desconserto, um poder de comunicação enorme, uma sensibilidade controlada mas à flor da pele e como dizia um querido amigo, um iman especial que atraía desmesuradamente quem privava com ela.
Entregava-se a tudo que se propunha de corpo inteiro. Intensa em tudo que fazia e sentia.
Essa intensidade pelas coisas tinham-na levado a encontros e desencontros mais ou menos felizes. Algumas paixões inconsequentes, dois casamentos falhados, três filhos lindos, uma profissão que adorava, mas continuava sempre a sentir falta de alguma coisa e essa procura que não buscava continuava no tempo.
O que buscava afinal? continuava sem resposta para isto.
O segredo da paixão que vivia nesta altura era fruto dessa procura sem fim. Certamente só na morte encontraria resposta.
Racionalmente achava que devia por fim a esta situação, mas por outro lado, sentia que o risco que corria a fazia viver mais e melhor. Não queria pensar nas consequências para não se magoar,
mas tinha a certeza que magoaria muito mais gente se tudo fosse descoberto.
Até podia ser que estes momentos forçados de reflexão a fizessem pôr um ponto final a tudo.
Mais uma vez faria um corte na sua vida, mas como sempre o motivo tinha uma justificação.
Teria de abdicar da exaltação dos momentos, de viver a vida em constante adrenalina e serenamente ficar com ela e com os dela. Só ainda não sabia se seria capaz de o fazer sózinha...

MIA
11 Novº2008

sábado, 8 de novembro de 2008

O meu amor, tem um jeito....

Naquela tarde de domingo chuvoso, ouvia Brel e lia um romance de Louis Bériot ("Un coup de foudre éternel").
Estava a adorar aquele livro não só pelo conteúdo, mas pelo amor com que estava escrito. Baseava-se na própria história de amor do autor com a sua mulher de sempre e quando retomava a leitura não podia deixar de pensar no seu caso secreto.
Aí começava a divagar e a questionar aquela relação que mantinha há já algum tempo. Afinal tinha sido também um coup de foudre, mas eterno certamente que não seria. Ambos tinham relações estáveis e nem sequer lhes passava pela cabeça mudar fosse o que fosse da vida deles para viver aquele amor.
Desde a primeira hora em que o conheceu sentiu um click estranho, mas não valorizou. Só que o interesse dele também se manifestou e isso foi o primeiro passo de tudo. Vários interesses em comum e o prazer da conversa, sobretudo de temas que só pessoas livres delas mesmo, eram capazes de ter sem criar conflitos com o outro. Isso foi realmente o começo, o resto veio por acréscimo...a compreensão, o carinho, o desejo, um desencadear de sentimentos que se tornaram incontroláveis.
Costumava pensar que numa relação dita normal aquele amor possívelmente não sobreviveria.
Haveriam ciúmes, sentido de posse, obrigação...realmente o sucesso deste amor era a liberdade com que amavam.
Às vezes era-lhe difícil dividir-se, principalmente o corpo, mas também achava que havia um benefício em tudo isto. Tinha encontrado uma certa harmonia na gestão da sua vida afectiva.
Dum lado a estabilidade, a rotina e também amor, porque não. Do outro lado, a exaltação dos momentos e ela continuava a precisar disso para viver.

MIA
8Novº2008

O meu amo, tem um jeito...

Depois dos acontecimentos do dia anterior, começou a perceber que não era nada fácil gerir aquela situação. Até ali tinha sido tudo mais ou menos pacífico, mas agora não conseguia contrariar a vontade de o ver mesmo no hospital e de saber constantemente do seu estado de saúde.
Tinha de ser muito cautelosa para o segredo se manter, mas a imaginação era mais forte que ela e começou a criar vários cenários para a possibilidade de o visitar sem serem descobertos.
Telefonou à sua amiga enfermeira e combinou um encontro no hospital. Sem grandes pormenores, explicou que queria ver o acidentado do dia anterior e se ela podia ajudar. A amiga foi discreta nos porquês e ajudou. Arranjou-lhe uma farda de auxiliar e cuidadosamente levou-a até à enfermaria onde ele estava. Era o melhor disfarce, pois a encontrar alguém à cabeceira, não fariam grandes perguntas sobre a saúde do doente e assim não poderia comprometer-se.
Teve sorte na hora escolhida, pois estava tudo tranquilo e as visitas ainda não tinham começado a chegar. Era uma sala de acidentados e os pacientes estavam na maioria sedados por causa das dores e dormitavam. Ele também. Aproveitou aquele cenário e aproximou-se da cama. Primeiro hesitou para controlar a emoção, mas lentamente não resistiu a acariciar-lhe a mão onde um cateter lhe fazia entrar o soro...ao sentir o carinho ele abriu os olhos e a interrogação tornou-se espanto. Disfarçadamente ela inclinou-se e beijou-o na boca para ele não poder dizer nada nem quebrar a magia do momento. Foi tudo muito rápido. Arranjou-lhe a roupa para poder ainda tocá-lo, apertou-lhe a mão e rápidamente saíu não resistindo a olhar para trás...ele ainda mantinha o ar de espanto pela ousadia dela e isso divertiu-a.
Tinha sido o momento certo para sair, começava a chegar gente e era perigoso continuar ali.
Cruzou-se na porta com uma senhora e teve a certeza que era familiar dele mas não quis olhar nem para a cara ou mesmo cor de cabelo. Quis continuar sem saber de nada, mas mesmo assim ficou-lhe na retina a forma física e onde quer que voltassem a cruzar-se iria reconhece-la...isso incomodou-a mas afastou o pensamento. Tinha de deixar aquele cenário imediatamente.
Passou pelo gabinete da amiga e mais uma vez sem grandes explicações despiu a farda, agradeceu muito o favor e solidàriamente femininas abraçaram-se.
Respirou fundo e em passos rápidos abandonou o edíficio a caminho do carro. Só agora tomava consciência dos riscos e da ousadia vividas. Mas ela era mesmo assim, ousada e muitas vezes inconsciente em tudo o que fazia na sua vida.
Meteu-se no carro e à medida que conduzia o seu pensamento planava. Amava aquele homem
duma forma diferente e isso fazia-a correr todos os riscos possíveis e imaginários. Sentir o amor dele era também um bálsamo para o dia a dia e saber que tudo estava a correr bem tranquilizava-a.
Agora nada mais restava que continuar a esperar que tudo normalizasse e sobretudo que ele ficasse bem.
Até lá e como até aqui, tudo seria igual, só com uma diferença. Podem controlar-se os sentimentos, as emoções...mas não a vida.

MIA
8 Novº2008

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O meu amor tem um jeito...

Hoje, como de costume, iam voltar a encontrar-se.
Já tinham tudo acertado desde o dia anterior e ela bem cedo, meteu-se no carro e partiu. Sempre que o fazia, parecia sentir a emoção da primeira vez.
Achava sempre o percurso interminável, mas por fim chegou à hora combinada.
Estranhamente, ele que era sempre o primeiro a chegar, ainda não estava lá. Uma chuva miudinha não deixava que saísse do carro para fumar, mas foi-se entretendo a ler o jornal e a ouvir música.
Entretanto o tempo passava e ele continuava sem aparecer. Primeiro pensou que talvez a demora fosse provocada pelo trânsito e pela chuva, afinal era sexta-feira e o movimento era sempre maior. Depois e como já tinham passado quase duas horas, decidiu ligar para o tlm, que como tinham acordado, só seria usado em último caso, mas mesmo isso não adiantou, porque apesar de chamar ele não atendia.
Começou a ficar preocupada e a pensar que algo de grave se tinha passado, isto nunca tinha acontecido e era muito estranho.
Apesar de não entrar em pânico com facilidade, uma estranha sensação apoderou-se dela e teve a certeza de que algo grave tinha acontecido.
Mesmo debaixo de chuva saíu do carro e fumando um cigarro tentou acalmar e aclarar as ideias.
Continuar ali não adiantava e decidiu regressar a casa. Pela rádio ia ouvindo as notícias sobre o transito e que já tinham acontecido vários acidentes...cada vez mais se avolumava a ideia de que algo grave tinha acontecido e que ele nem sequer teria condições de dar notícias.
Quando entrou em casa, a primeira coisa que fez foi ligar a televisão e esperar pelos noticiários para tentar saber de acidentes graves que poderiam ter acontecido logo de manhã.
Toda a gente em casa percebeu a sua intranquilidade pois, por mais que tentasse disfarçar, não conseguia ficar quieta. Fazia zapping constantemente à procura de diversos canais com notícias, mas nada de esclarecedor.
Já tarde foi deitar-se mas não conseguiu dormir quase nada. Queria que o amanhã chegasse rápidamente para poder consultar os jornais e ver se encontrava resposta para este silêncio terrível.
Levantou-se muito cedo e desculpou-se com o tempo de chuva e o transito para sair de casa mais cedo.
Parou na primeira área de serviço que encontrou, comprou o diário e logo na primeira página uma série de acidentes. Passou rápidamente para as folhas interiores e meu Deus, lá estava a resposta para tudo...um carro abalroado por um camião e o nome dele. Ainda pediu que fosse mentira, mas não, era verdade...o nome, a idade, tudo. Mas apesar do acidente ter sido grave, não havia risco de vida...
Tomou nota do hospital para onde tinha sido levado e apesar do azar, a sorte de ter uma amiga enfermeira lá a trabalhar. Ligou-lhe de imediato a pedir informações e esperou pela resposta que não se fez esperar. Felizmente, apesar do aparato, o seu estado não era grave, mas como tinha sido sujeito a uma cirurgia ainda estava combalido.
De volta para o emprego pensava na melhor forma de o poder ouvir ou contactar, já que visitá-lo era impossível e não tinha outra coisa a fazer se não esperar.
A manhã foi de reuniões mas a sua cabeça não conseguia concentrar-se em nada. Há hora de almoço continuava sem saber o que fazer. Continuar a esperar que era a única coisa que podia fazer.
A própria secretária notava-lhe um nervosismo estranho e o pedido de cafés sucediam-se...até que o telemóvel tocou de novo. Finalmente era ele a dar notícias. Respirou fundo quando ouviu a sua voz e ficou silenciosa a ouvi-lo... a adrenalina começou a baixar e as lágrimas cairam por perceber que nem sequer um beijo lhe poderia ir dar.
Mas era um dos riscos daquele segredo, mante-lo mesmo nas situações mais difíceis.
Perguntou-lhe como estava e ele respondeu que a amava e que os seus pensamentos naquele momento difícil tinham sido para eles. Ela mandou-lhe um beijo com asas, reafirmou o seu amor e que continuaria à sua espera...

domingo, 2 de novembro de 2008

O meu amor, tem um jeito....

Hoje, não sabia porquê, sentia um amor ainda maior por ele.
Há já algum tempo que não se viam e carregava no acelarador para chegar mais depressa. Estava inquieta por poder beijá-lo e fundir-se nos seus braços.
Ainda faltavam cinco quilómetros e pareciam uma eternidade. Fumou mais três cigarros e finalmente chegou.
Ele já lá estava, nunca se atrasava. Quase não a deixava sair do carro e puxou-a com força para ele beijando-a com paixão.
Depois olharam-se bem nos olhos e adivinharam os pensamentos.
Agarrados entraram no "sítio" e quase sem palavras começaram o jogo do amor.
Como se gostavam...à medida que os corpos se destapavam descobriam sempre algo de novo e faziam-no com alegria. Ele gostava do toque de seda da sua pele e ela toda enriçada, deixava-se percorrer, provocando nele um desejo ainda maior. Os primeiros momentos eram de sofreguidão e muito intensos até atingirem o extase. Até nisso estavam em sintonia.
Depois ficavam mais calmos e falavam de tudo e de nada. Imaginavam passeios à beira rio vendo os barcos passar e contagiavam-se de risos e cansaços. Regressavam e voltavam a amar-se como só eles sabiam fazer...amavam-se, deixando-se amar.
Mas a realidade não se compadecia e o tempo voava. Na hora da despedida, a mesma paixão da chegada e um até amanhã que não seria.
Depois partiam tranquilamente sabendo que se tinham e que se continuavam a querer. Era o amor...

MIA
1 Novº 2008