Hoje vesti-te
de telas coloridas,
enfeitei-te
os cabelos de miosótis
e levei-te
a ver o mar.
Peguei-te
pela mão com ternura
e caminhando
pela areia molhada
salpicamo-nos
da pureza do sal.
Quis lavar-te
das mágoas,
das dores,
do sofrimento,
mas só ficamos
roxas de frio.
Protegi-te
com o meu manto
para não teres frio
e perante o teu
tremor
quis de novo
receber-te
no meu útero materno
para te proteger.
Enchemo-nos
de sons, cheiros
e de Amor por nós
e pela Vida.
Quisemos rir
de alegria
mas só
caíram lágrimas,
quisemos falar
e só se ouviu
o silêncio...
Depois veio o Sol
que nos deu calor
sacudimos
as areias da dor
e regressamos
mais leves a casa.
domingo, 7 de dezembro de 2008
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Mummy
Mummy, faz hoje três anos que partiste e eu esqueci.
Desculpa, não foi porque já não faças parte de mim, mas tantas coisas estão a acontecer, que me esconderei por trás delas para me desculpar.
Tenho tantas saudades tuas...da tua voz, do teu cheiro, do teu calor quando me abraçavas e das tuas mãos nas minhas quando pacientemente me ouvias. E dos momentos em que riamos juntas mesmo das mais pequenas coisas. Até das tuas queixas de velhice eu tenho saudades...
Já tantas coisas aconteceram depois da tua partida e eu sem te poder contar...e o que ficou por dizer e que gostarias de ter ouvido e eu não tive tempo de fazer. Mas é sempre assim, há sempre algo que fica por dizer...
Obrigada pela tua inteireza, pela independencia que herdei de ti e me ajuda nas minhas decisões, pela doçura do teu olhar e que me continua a seguir onde que que eu vá, pelos valores que me transmitiste e pelo amor que deste e me ensinaste a dar.
Não sei se são os filhos que escolhem os pais ou se o contrário, mas obrigada pelo privilégio de ter sido tua filha e me teres acolhido toda a vida no teu útero materno. Tantas vezes já escrevi para ti e como gostaria de poder reler esses textos ao teu ouvido...infelizmente nem eu mesmo os posso ler porque os destruiram...mas na minha memória continuam a existir.
Continuarei a escrever as palavras que nunca te direi e que junto do teu corpo já inerte susurrei,
a amar-te da mesma forma de sempre mas com a enorme saudade de te não ver, a sentir-te por perto mesmo que estejas para além da Lua...
Que nas minhas lágrimas cristalinas encontres a luz no além...
Um beijo de saudades Mummy...
Da tua MIA
1 Dezº2008
Desculpa, não foi porque já não faças parte de mim, mas tantas coisas estão a acontecer, que me esconderei por trás delas para me desculpar.
Tenho tantas saudades tuas...da tua voz, do teu cheiro, do teu calor quando me abraçavas e das tuas mãos nas minhas quando pacientemente me ouvias. E dos momentos em que riamos juntas mesmo das mais pequenas coisas. Até das tuas queixas de velhice eu tenho saudades...
Já tantas coisas aconteceram depois da tua partida e eu sem te poder contar...e o que ficou por dizer e que gostarias de ter ouvido e eu não tive tempo de fazer. Mas é sempre assim, há sempre algo que fica por dizer...
Obrigada pela tua inteireza, pela independencia que herdei de ti e me ajuda nas minhas decisões, pela doçura do teu olhar e que me continua a seguir onde que que eu vá, pelos valores que me transmitiste e pelo amor que deste e me ensinaste a dar.
Não sei se são os filhos que escolhem os pais ou se o contrário, mas obrigada pelo privilégio de ter sido tua filha e me teres acolhido toda a vida no teu útero materno. Tantas vezes já escrevi para ti e como gostaria de poder reler esses textos ao teu ouvido...infelizmente nem eu mesmo os posso ler porque os destruiram...mas na minha memória continuam a existir.
Continuarei a escrever as palavras que nunca te direi e que junto do teu corpo já inerte susurrei,
a amar-te da mesma forma de sempre mas com a enorme saudade de te não ver, a sentir-te por perto mesmo que estejas para além da Lua...
Que nas minhas lágrimas cristalinas encontres a luz no além...
Um beijo de saudades Mummy...
Da tua MIA
1 Dezº2008
domingo, 30 de novembro de 2008
O meu amor, tem um jeito....
Depois de alguns avanços e recuos, Bia e Bernardo voltaram a encontrar-se.
Bia fez questão que o encontro não fosse naquele recanto onde tinham passado momentos inesquecíveis e por isso, escolheram um hotel discreto. Não queria ouvir de novo o música de fundo que tinham escolhido para o seu filme, queria uma cena diferente onde o ambiente não pudesse interferir com os sentimentos.
Entraram como um casal normal e apesar do conforto do quarto, sentiram alguma frieza no ambiente. Nada era familiar e mesmo entre eles havia qualquer coisa de diferente. Mesmo assim entregaram-se como se fosse a última vez e podia mesmo dizer-se que toda a magia a que estavam habituados se tinha transformado numa realidade que lhes dava mais consciência do que viviam.
Desta vez não havia risos de contentamento, mas a entrega era tão grande que sentiram que a profundidade daquele amor era muito maior do que jamais tinham esperado. E se ela já tinha revelado algum receio por isso, Bernardo, pela primeira vez confessou que tinha medo do que estava a acontecer. Ela tinha-se tornado numa obcessão para ele e ele não estava a conseguir gerir os sentimentos, acreditava até, que em casa já tinham reparado que alguma coisa de diferente se passava com ele.
Ouviram-se com muita atenção e as mãos, que até aí, eram de uma constante procura, mantinham-s agarradas de tal forma, que só a dor os fazia de vez em quando aliviar a pressão.
De quando em quando beijavam-se de novo, mas a doçura melosa dos beijos que costumavam trocar e os levava de novo a amar sem parar, desta vez revelavam alguma agressividade. Sabiam que tudo tinha de acabar e aquela que possívelmente seria a última vez deles, apesar de não ser violenta, revelava alguma raiva.
De comum acordo acharam por bem acabar o romance. Prometeram guardar o carinho que sentiam, toda a cumplicidade que tinham vivido e tal como não tinham procurado para se encontrar, teriam de arranjar a magia para se fazerem desaparecer da vida um do outro. Quem sabe noutra vidas se reencontrariam e em circunstancias diferentes, poderiam viver esse amor tranquilamente.
Prometeram serenidade na separação e que não voltariam a procurar-se, só não sabiam se iriam cumprir o establecido, mas mesmo assim continuaram a prometer.
À medida que Bia se arranjava, Bernardo que tinha deixado de fumar há alguns anos, pediu-lhe um cigarro e por entre espirais de fumo, olhava-a com melancolia. A tranquilidade aparente dela tornava-o inseguro e quanto mais a mirava, mais lhe apetecia ficar com ela. Não se conteve e mais uma vez tomou-a nos braços e amou-a de novo. Tudo parecia um recomeço, mas os corpos tranformados num só quando por fim se largaram, tiveram a certeza de que era a última vez. Não podiam continuar aquele romance que mais parecia de filme e o fim mais bonito que encontraram foi trautearem a sua música e dançar com leveza como de uma valsa se tratasse.
Por fim desceram, tomaram uma bebida no bar e na hora da despedida um último beijo de amor.
Não conseguiram deixar de se olhar pela última vez e acenaram eternizando o momento.
Desta vez, enquanto fazia a viajem de regresso a casa, Beatriz sentiu-se amputada. A realidade era demasiado dolorosa mas tinha de ser, a vida tinha de continuar e ela não podia pensar só nas suas dores.
Em casa continuavam à sua espera e todos dependiam da sua aparente tranquilidade. Tinha de entregar-se por completo à família e continuar de corpo inteiro centrada no problema de saúde da sua filha.
MIA
30 Novº2008
Bia fez questão que o encontro não fosse naquele recanto onde tinham passado momentos inesquecíveis e por isso, escolheram um hotel discreto. Não queria ouvir de novo o música de fundo que tinham escolhido para o seu filme, queria uma cena diferente onde o ambiente não pudesse interferir com os sentimentos.
Entraram como um casal normal e apesar do conforto do quarto, sentiram alguma frieza no ambiente. Nada era familiar e mesmo entre eles havia qualquer coisa de diferente. Mesmo assim entregaram-se como se fosse a última vez e podia mesmo dizer-se que toda a magia a que estavam habituados se tinha transformado numa realidade que lhes dava mais consciência do que viviam.
Desta vez não havia risos de contentamento, mas a entrega era tão grande que sentiram que a profundidade daquele amor era muito maior do que jamais tinham esperado. E se ela já tinha revelado algum receio por isso, Bernardo, pela primeira vez confessou que tinha medo do que estava a acontecer. Ela tinha-se tornado numa obcessão para ele e ele não estava a conseguir gerir os sentimentos, acreditava até, que em casa já tinham reparado que alguma coisa de diferente se passava com ele.
Ouviram-se com muita atenção e as mãos, que até aí, eram de uma constante procura, mantinham-s agarradas de tal forma, que só a dor os fazia de vez em quando aliviar a pressão.
De quando em quando beijavam-se de novo, mas a doçura melosa dos beijos que costumavam trocar e os levava de novo a amar sem parar, desta vez revelavam alguma agressividade. Sabiam que tudo tinha de acabar e aquela que possívelmente seria a última vez deles, apesar de não ser violenta, revelava alguma raiva.
De comum acordo acharam por bem acabar o romance. Prometeram guardar o carinho que sentiam, toda a cumplicidade que tinham vivido e tal como não tinham procurado para se encontrar, teriam de arranjar a magia para se fazerem desaparecer da vida um do outro. Quem sabe noutra vidas se reencontrariam e em circunstancias diferentes, poderiam viver esse amor tranquilamente.
Prometeram serenidade na separação e que não voltariam a procurar-se, só não sabiam se iriam cumprir o establecido, mas mesmo assim continuaram a prometer.
À medida que Bia se arranjava, Bernardo que tinha deixado de fumar há alguns anos, pediu-lhe um cigarro e por entre espirais de fumo, olhava-a com melancolia. A tranquilidade aparente dela tornava-o inseguro e quanto mais a mirava, mais lhe apetecia ficar com ela. Não se conteve e mais uma vez tomou-a nos braços e amou-a de novo. Tudo parecia um recomeço, mas os corpos tranformados num só quando por fim se largaram, tiveram a certeza de que era a última vez. Não podiam continuar aquele romance que mais parecia de filme e o fim mais bonito que encontraram foi trautearem a sua música e dançar com leveza como de uma valsa se tratasse.
Por fim desceram, tomaram uma bebida no bar e na hora da despedida um último beijo de amor.
Não conseguiram deixar de se olhar pela última vez e acenaram eternizando o momento.
Desta vez, enquanto fazia a viajem de regresso a casa, Beatriz sentiu-se amputada. A realidade era demasiado dolorosa mas tinha de ser, a vida tinha de continuar e ela não podia pensar só nas suas dores.
Em casa continuavam à sua espera e todos dependiam da sua aparente tranquilidade. Tinha de entregar-se por completo à família e continuar de corpo inteiro centrada no problema de saúde da sua filha.
MIA
30 Novº2008
Enquanto é tempo
sai de ti e vive.
Enfrenta os riscos,
as dores, as tempestades
do teu pensamento,
mas sai!
Não fiques
mergulhada na escuridão
de horas
cheias de nada...
bate as asas
que julgas partidas
e levanta-as de novo
para saires de ti
e das tuas dores.
Tens-me aqui...
deixa-me entrar
na tua vida
e entender
os teus dramas,
desilusões,
sofrimento.
Não desvies o olhar
e enfrenta
a tempestade
em que se transformou
a tua vida...
mergulha em lágrimas,
vagas alterosas
de pranto,
mas sai!
Eu
continuarei aqui...
Cobrirte-ei
com as minhas asas
e ajudar-te-ei
a voar de novo.
Não feches
as portas à vida,
acorda
para a dura realidade,
mas sai!
Não desistas
de ti e da vida
que te espera lá fora...
Vigiarei
de perto o teu voo
rasante
e no teu
trémulo bico,
depositarei
o meu amor de Mãe.
Deixa-me
entrar em ti
e ajudar-te
a voar de novo.
A vida
está à tua espera...
dá-te a oportunidade
que mereces e
não percas mais tempo
a deambular
pelo desconhecido...
simplesmente vive!
Eu,
perto ou longe,
continuarei aqui.
Beijos
MIA
30 Novº2008
sai de ti e vive.
Enfrenta os riscos,
as dores, as tempestades
do teu pensamento,
mas sai!
Não fiques
mergulhada na escuridão
de horas
cheias de nada...
bate as asas
que julgas partidas
e levanta-as de novo
para saires de ti
e das tuas dores.
Tens-me aqui...
deixa-me entrar
na tua vida
e entender
os teus dramas,
desilusões,
sofrimento.
Não desvies o olhar
e enfrenta
a tempestade
em que se transformou
a tua vida...
mergulha em lágrimas,
vagas alterosas
de pranto,
mas sai!
Eu
continuarei aqui...
Cobrirte-ei
com as minhas asas
e ajudar-te-ei
a voar de novo.
Não feches
as portas à vida,
acorda
para a dura realidade,
mas sai!
Não desistas
de ti e da vida
que te espera lá fora...
Vigiarei
de perto o teu voo
rasante
e no teu
trémulo bico,
depositarei
o meu amor de Mãe.
Deixa-me
entrar em ti
e ajudar-te
a voar de novo.
A vida
está à tua espera...
dá-te a oportunidade
que mereces e
não percas mais tempo
a deambular
pelo desconhecido...
simplesmente vive!
Eu,
perto ou longe,
continuarei aqui.
Beijos
MIA
30 Novº2008
sábado, 29 de novembro de 2008
Posso esconder-me
atrás de grades,
portas blindadas,
muros altos de betão.
Posso até esconder-me
por trás de sorrisos,
palavras,
silêncios
e olhares vazios.
Posso cobrir-me
de mantos negros,
telas coloridas,
arco-íris risonhos.
Posso alar-me
das mais finas asas
e voar rumo ao infinito
pensando que ninguém vê.
Posso querer e não querer,
fugir e voltar
odiar ou amar.
Tudo que quiser
eu posso,
só não posso
fugir de mim.
MIA
29 Novº2008
atrás de grades,
portas blindadas,
muros altos de betão.
Posso até esconder-me
por trás de sorrisos,
palavras,
silêncios
e olhares vazios.
Posso cobrir-me
de mantos negros,
telas coloridas,
arco-íris risonhos.
Posso alar-me
das mais finas asas
e voar rumo ao infinito
pensando que ninguém vê.
Posso querer e não querer,
fugir e voltar
odiar ou amar.
Tudo que quiser
eu posso,
só não posso
fugir de mim.
MIA
29 Novº2008
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
O meu amor, tem um jeito....
Hoje, David, o filho do meio, veio lanchar com Beatriz. Vivia com o pai e apesar de estarem sempre em contacto telefónico, viam-se raramente. Também estava preocupado com a saúde da irmã mais nova e depois de ter passado no hospital para a visitar, ficou com a Mãe.
Bia adorava estar com os três filhos juntos, mas sempre que havia oportunidade de ficar a sós com algum, aproveitava o momento para particularizar a conversa. David falava com entusiasmo do seu trabalho de arquitecto e da sua progressão na empresa, mas também do seu novo projecto pessoal de ir pela primeira vez viver sózinho. Para ela esta pretensão não era novidade e agora que ele estava prestes a concretizar esse sonho, ouviu-o com ternura. Era uma decisão arrojada, porque a actualidade da economia nacional não era famosa, mas algum dia teria de ser e ele não queria esperar mais tempo para o fazer.
E como de costume, sempre que estavam juntos, o tempo mágico que viviam passava a correr. Estavam já nas despedidas quando o celular de Bia tocou. Como estava distraída com a conversa, atendeu sem reparar quem chamava. Só quando ouviu a voz de Bernardo do outro lado é que caíu em si e de forma meia atrapalhada desculpou-se para não continuar a conversa. Sentiu um rubor nas faces e não conseguiu disfarçar o incómodo, a tal ponto que David perguntou-lhe se tinha acontecido alguma coisa.
Disfarçou como pode a resposta, mas ficou com o registo do ar apreensivo do filho. Não estava habituado a ver a mãe com ar de quem escondia qualquer coisa e por isso insistiu na pergunta de que se estava tudo bem.
Quando ficou só, Bia respirou fundo e mais uma vez percebeu que a continuar com aquela situação, qualquer dia iria deitar tudo a perder. No imediato ligou a Bernardo a explicar o que tinha acontecido e o porquê da chamada dele.
Com este problema de saúde da filha tinham deixado de ser prudentes e a continuarem assim, aquele segredo que era tão deles, iria acabar por ser descoberto. Ele justificou-se dizendo que queria saber do estado de saúde de Janine, mas não pode deixar de lhe dizer que tinha saudades dela e que queria reencontrá-la o mais cedo possível.
Beatriz sentiu-se reconfortada por saber que apesar da distância ele continuava a amá-la, mas pela primeira vez sentiu medo. Possívelmente era a primeira vez que tinha medo na vida dela. Nunca tinha sido dada a medos, mas agora era diferente. Estes momentos de stress que vivia tornavam-na mais vulnerável e sabia que não aguentaria perder o que quer que fosse. Por isso mesmo também não conseguia cortar defenitivamente com Bernardo. Tinha de pelo menos encontrar-se mais uma vez com ele, mas mais que nunca teria de ter muito cuidado.
Sózinha possívelmente não conseguiria tomar a decisão final, mas tinha esperança que ele entenderia e que iria ajudar também a pôr fim aquele segredo que viviam.
Bia adorava estar com os três filhos juntos, mas sempre que havia oportunidade de ficar a sós com algum, aproveitava o momento para particularizar a conversa. David falava com entusiasmo do seu trabalho de arquitecto e da sua progressão na empresa, mas também do seu novo projecto pessoal de ir pela primeira vez viver sózinho. Para ela esta pretensão não era novidade e agora que ele estava prestes a concretizar esse sonho, ouviu-o com ternura. Era uma decisão arrojada, porque a actualidade da economia nacional não era famosa, mas algum dia teria de ser e ele não queria esperar mais tempo para o fazer.
E como de costume, sempre que estavam juntos, o tempo mágico que viviam passava a correr. Estavam já nas despedidas quando o celular de Bia tocou. Como estava distraída com a conversa, atendeu sem reparar quem chamava. Só quando ouviu a voz de Bernardo do outro lado é que caíu em si e de forma meia atrapalhada desculpou-se para não continuar a conversa. Sentiu um rubor nas faces e não conseguiu disfarçar o incómodo, a tal ponto que David perguntou-lhe se tinha acontecido alguma coisa.
Disfarçou como pode a resposta, mas ficou com o registo do ar apreensivo do filho. Não estava habituado a ver a mãe com ar de quem escondia qualquer coisa e por isso insistiu na pergunta de que se estava tudo bem.
Quando ficou só, Bia respirou fundo e mais uma vez percebeu que a continuar com aquela situação, qualquer dia iria deitar tudo a perder. No imediato ligou a Bernardo a explicar o que tinha acontecido e o porquê da chamada dele.
Com este problema de saúde da filha tinham deixado de ser prudentes e a continuarem assim, aquele segredo que era tão deles, iria acabar por ser descoberto. Ele justificou-se dizendo que queria saber do estado de saúde de Janine, mas não pode deixar de lhe dizer que tinha saudades dela e que queria reencontrá-la o mais cedo possível.
Beatriz sentiu-se reconfortada por saber que apesar da distância ele continuava a amá-la, mas pela primeira vez sentiu medo. Possívelmente era a primeira vez que tinha medo na vida dela. Nunca tinha sido dada a medos, mas agora era diferente. Estes momentos de stress que vivia tornavam-na mais vulnerável e sabia que não aguentaria perder o que quer que fosse. Por isso mesmo também não conseguia cortar defenitivamente com Bernardo. Tinha de pelo menos encontrar-se mais uma vez com ele, mas mais que nunca teria de ter muito cuidado.
Sózinha possívelmente não conseguiria tomar a decisão final, mas tinha esperança que ele entenderia e que iria ajudar também a pôr fim aquele segredo que viviam.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
O meu amor, tem um jeito....
Hoje ia ser um dia difícil para Beatriz.
Desde manhã cedo que ela e a família se encaminharam para o IPO, pois Janine, a sua filha mais nova, ia ser operada. A espera de notícias era angustiante e o silêncio entre todos era revelador da preocupação que viviam.
Ao fim de algumas horas de espera chegaram as notícias que tanto esperava. O cirurgião apareceu a informar que tudo tinha corrido bem com a remoção do tumor e que felizmente a cirurgia não tinha sido demasiado invasiva. Agora havia que seguir o pós-operatório e acima de tudo preparar a menina para os tratamentos futuros, que esses sim, iriam causar não só danos psicológicos mas também físicos. Mas Janine era muito nova e com o apoio de todos, haveria de resistir e sair vitoriosa.
Bia sabia que teria de ser muito forte também, para que a filha pudesse sentir que toda a estrutura de apoio à sua volta seria inabalável. Iriam manter-se ainda mais unidos para lhes puderem dar todo a afecto e conforto que ela ia precisar. A resposta para o sucesso estaria no futuro e oxalá tudo corresse pelo melhor. Essa era a esperança que lhe dava força e Deus e a medicina iriam ajudar a superar estes momentos.
Quando se dirigiu à sala de recobro para a visitar fez questão de sorrir e apesar do olhar embaciado, o brilho da esperança estaria lá. Janine ainda sonolenta abriu os olhos e leu na expressão da Mãe que tudo tinha corrido bem. Não fez perguntas , deixou-se dormir de novo e o no seu ar ainda de menina, podia ler-se que o carinho materno era o melhor sedativo.
Bia não podia prolongar por mais tempo a permanência naquela sala e saíu para informar o resto da família. Tinha de mostrar-se serena pois sabia que a tranquilidade dos outros passava pela sua postura.
Pediu à filha mais velha que se mantivesse no Hospital, pois tinha de passar no escritório com urgência e saíu acompanhada pelo companheiro que mais uma vez se revelava atento e carinhoso. Era uma enorme ajuda tê-lo por perto. Ele adorava os seus filhos e Janine encontrava também nele um apoio que não tinha do próprio progenitor. Para Beatriz isso era um factor de tranquilidade.
Despediu-se de Niarchos e já em direcção ao escritório recebeu um telefonema de Bernardo. Encostou o carro para poder falar melhor e explicou a situação. Bernardo também se mostrava preocupado por ela e apesar de todas as condicionantes que viviam, tentava informar-se sempre que podia.
Bia agradeceu-lhe o interesse e mandou-lhe um beijo. Estava demasiado absorvida com outras preocupações para alongar a conversa. De qualquer forma há medida que retomava a condução, não conseguia apagar da memória aquele romance. Sentia-se até mal por isso, mas o pensamento tem destas coisas...muitas das vezes divaga em sentidos menos apropriados. Continuava com a certeza de que tudo tinha de ter um fim, mas também sentia que não era capaz de o fazer neste momento, continuava a precisar de o ouvir e de saber que ele continuava a amá-la.
MIA
25 Novº2008
Desde manhã cedo que ela e a família se encaminharam para o IPO, pois Janine, a sua filha mais nova, ia ser operada. A espera de notícias era angustiante e o silêncio entre todos era revelador da preocupação que viviam.
Ao fim de algumas horas de espera chegaram as notícias que tanto esperava. O cirurgião apareceu a informar que tudo tinha corrido bem com a remoção do tumor e que felizmente a cirurgia não tinha sido demasiado invasiva. Agora havia que seguir o pós-operatório e acima de tudo preparar a menina para os tratamentos futuros, que esses sim, iriam causar não só danos psicológicos mas também físicos. Mas Janine era muito nova e com o apoio de todos, haveria de resistir e sair vitoriosa.
Bia sabia que teria de ser muito forte também, para que a filha pudesse sentir que toda a estrutura de apoio à sua volta seria inabalável. Iriam manter-se ainda mais unidos para lhes puderem dar todo a afecto e conforto que ela ia precisar. A resposta para o sucesso estaria no futuro e oxalá tudo corresse pelo melhor. Essa era a esperança que lhe dava força e Deus e a medicina iriam ajudar a superar estes momentos.
Quando se dirigiu à sala de recobro para a visitar fez questão de sorrir e apesar do olhar embaciado, o brilho da esperança estaria lá. Janine ainda sonolenta abriu os olhos e leu na expressão da Mãe que tudo tinha corrido bem. Não fez perguntas , deixou-se dormir de novo e o no seu ar ainda de menina, podia ler-se que o carinho materno era o melhor sedativo.
Bia não podia prolongar por mais tempo a permanência naquela sala e saíu para informar o resto da família. Tinha de mostrar-se serena pois sabia que a tranquilidade dos outros passava pela sua postura.
Pediu à filha mais velha que se mantivesse no Hospital, pois tinha de passar no escritório com urgência e saíu acompanhada pelo companheiro que mais uma vez se revelava atento e carinhoso. Era uma enorme ajuda tê-lo por perto. Ele adorava os seus filhos e Janine encontrava também nele um apoio que não tinha do próprio progenitor. Para Beatriz isso era um factor de tranquilidade.
Despediu-se de Niarchos e já em direcção ao escritório recebeu um telefonema de Bernardo. Encostou o carro para poder falar melhor e explicou a situação. Bernardo também se mostrava preocupado por ela e apesar de todas as condicionantes que viviam, tentava informar-se sempre que podia.
Bia agradeceu-lhe o interesse e mandou-lhe um beijo. Estava demasiado absorvida com outras preocupações para alongar a conversa. De qualquer forma há medida que retomava a condução, não conseguia apagar da memória aquele romance. Sentia-se até mal por isso, mas o pensamento tem destas coisas...muitas das vezes divaga em sentidos menos apropriados. Continuava com a certeza de que tudo tinha de ter um fim, mas também sentia que não era capaz de o fazer neste momento, continuava a precisar de o ouvir e de saber que ele continuava a amá-la.
MIA
25 Novº2008
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Há
vidas deixadas
sem viver,
dores imensuráveis
sem contar,
perdas irreparáveis
sem sentir.
Há
amnésias que lembram,
descrenças que acreditam,
aceitações que recusam.
Há
escuridão que ilumina,
silêncio que ensurdece,
calor que enregela.
Há
luto sem morte,
lágrimas sem choro,
vida sem criação.
Há
mentiras verdadeiras,
verdades omitidas,
lembranças esquecidas.
Há...
E tudo o mais
que possa haver,
só se perde
se se tiver.
MIA
23 Novº2008
vidas deixadas
sem viver,
dores imensuráveis
sem contar,
perdas irreparáveis
sem sentir.
Há
amnésias que lembram,
descrenças que acreditam,
aceitações que recusam.
Há
escuridão que ilumina,
silêncio que ensurdece,
calor que enregela.
Há
luto sem morte,
lágrimas sem choro,
vida sem criação.
Há
mentiras verdadeiras,
verdades omitidas,
lembranças esquecidas.
Há...
E tudo o mais
que possa haver,
só se perde
se se tiver.
MIA
23 Novº2008
sábado, 22 de novembro de 2008
O meu amor, tem um jeito....
Depois de ter tomado conhecimento da doença da filha de Beatriz, Bernardo quis encontrar-se com ela.
Desta vez Bia não ia com o mesmo entusiasmo para o seu encontro secreto. Estava depressiva e demasiado preocupada e apesar de ter concordado, não sabia se era o que mais lhe apetecia fazer naquela hora. Mesmo assim foi.
Quando chegou ele já a esperava. Ajudou-a a sair do carro e com ternura abraçou-a. Ela deixou-se conduzir e quase sem palavras pousou as suas coisas e de mãos dadas sentaram-se no sofã olhando-se em silêncio. Por momentos Bernardo respeitou aquele silêncio mas quis saber pormenores e pela primeira vez Bia falou-lhe da família e de toda a dor que estava a viver.
Mostrou como também era frágil e o sorriso a que ele estava habituado e que o tinha prendido, tranformou-se em lágrimas que ele carinhosamente enxugava. Tentava serena-la falando de esperança mas mesmo assim Beatriz chorava. No meio de soluços tentava explicar o turbilhão de sentimentos e o medo que começava a sentir se continuasse a viver aquele amor.
Nada já fazia sentido e todo o medo que sentia em ser descoberta, levava-a a pedir-lhe que a ajudasse a pôr fim aquela situação. Ela não teria capacidade de enfrentar qualquer perda provocada por aquela vida paralela.
Bernardo entendia o drama que ela estava a viver e também não sabia que dizer. De repente tudo tinha mudado e todo o estado de euforia que costumavam viver tranformou-se em tristeza.
Desta vez não fizeram amor e perceberam que afinal neles nem tudo era físico e que o amor deles também ia muito além do prazer e dos momentos. De qualquer forma nada podia ser alterado porque para lá daquela porta outro mundo os esperava e outras pessoas dependiam também deles.
Bernardo deu-lhe todo o conforto e disse que não era a melhor altura para tomarem decisões, até porque queria continuar mesmo longe, ao lado dela. Iria manter-se em contacto sempre que possível para saber como iam as coisas e depois ver-se-ia o que iria acontecer.
Bia não prometeu nada e quis regressar a casa. O pensamento da filha não a largava e era nisso que tinha de estar concentrada.
Na despedida os beijos souberam a sal e nem o brilho do sol lhe deu luz, mas tinha de regressar.
Já ao volante acenou-lhe e por momentos encontrou espelhada nos olhos dele, uma tristeza que desconhecia.
MIA
23 Novº2008
Desta vez Bia não ia com o mesmo entusiasmo para o seu encontro secreto. Estava depressiva e demasiado preocupada e apesar de ter concordado, não sabia se era o que mais lhe apetecia fazer naquela hora. Mesmo assim foi.
Quando chegou ele já a esperava. Ajudou-a a sair do carro e com ternura abraçou-a. Ela deixou-se conduzir e quase sem palavras pousou as suas coisas e de mãos dadas sentaram-se no sofã olhando-se em silêncio. Por momentos Bernardo respeitou aquele silêncio mas quis saber pormenores e pela primeira vez Bia falou-lhe da família e de toda a dor que estava a viver.
Mostrou como também era frágil e o sorriso a que ele estava habituado e que o tinha prendido, tranformou-se em lágrimas que ele carinhosamente enxugava. Tentava serena-la falando de esperança mas mesmo assim Beatriz chorava. No meio de soluços tentava explicar o turbilhão de sentimentos e o medo que começava a sentir se continuasse a viver aquele amor.
Nada já fazia sentido e todo o medo que sentia em ser descoberta, levava-a a pedir-lhe que a ajudasse a pôr fim aquela situação. Ela não teria capacidade de enfrentar qualquer perda provocada por aquela vida paralela.
Bernardo entendia o drama que ela estava a viver e também não sabia que dizer. De repente tudo tinha mudado e todo o estado de euforia que costumavam viver tranformou-se em tristeza.
Desta vez não fizeram amor e perceberam que afinal neles nem tudo era físico e que o amor deles também ia muito além do prazer e dos momentos. De qualquer forma nada podia ser alterado porque para lá daquela porta outro mundo os esperava e outras pessoas dependiam também deles.
Bernardo deu-lhe todo o conforto e disse que não era a melhor altura para tomarem decisões, até porque queria continuar mesmo longe, ao lado dela. Iria manter-se em contacto sempre que possível para saber como iam as coisas e depois ver-se-ia o que iria acontecer.
Bia não prometeu nada e quis regressar a casa. O pensamento da filha não a largava e era nisso que tinha de estar concentrada.
Na despedida os beijos souberam a sal e nem o brilho do sol lhe deu luz, mas tinha de regressar.
Já ao volante acenou-lhe e por momentos encontrou espelhada nos olhos dele, uma tristeza que desconhecia.
MIA
23 Novº2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
O meu amor, tem um jeito....
Conforme tinha agendado, Beatriz deslocou-se uma semana a Paris.
Era uma semana particularmente díficil profissionalmente, mas sobretudo porque tinha partido intranquila com a saúde da sua filha mais nova. Tinha-lhe sido detectado um nódulo no seio esquerdo, feito uma biópsia e ainda não sabia dos resultados.
Estava preocupadíssima e todo o optimismo que costumava ter em relação às mais variadas dificuldades, desta vez não existia. Sentia que algo de mau estava para acontecer. Nas poucas horas de lazer, refugiava-se no quarto do hotel e ficava prisioneira de maus pensamentos.
Desta vez não era com ela e sempre que a saúde dos filhos estava em causa não conseguia esconder a intranquilidade. Telefonava diàriamente à hora do jantar e naquela quarta-feira achava que ia ter a resposta que esperava.
Recusou ir com o grupo do costume jantar e como havia uma hora de diferença, esperou impacientemente para ligar para casa. Pelo tom de voz com que atenderam o telefone, percebeu de imediato que as notícias não eram boas. A filha em pranto deu-lhe a notícia que mais temia, tinha um carcinoma e era preciso agir rápidamente.
Queria acalma-la mas as palavras não saíam e àquela distância nem a mão lhe podia dar ou mesmo ajudar a secar as lágrimas. Sentiu o Mundo ruir...falou também com a filha mais velha a pedir ajuda e que ficassem o mais unidas possível até ao seu regresso. Iria antecipar a viagem e sexta à noite já estaria de novo em casa.
Quando desligou o telefone estava gelada e incapaz de pensar em mais nada, a não ser no regresso e nas medidas urgentes a tomar. Sentiu-se infinitamente só...
Telefonou ao companheiro que tinha aproveitado a ausencia profissional dela para ir à Grécia, visitar uma irmã que estava com problemas de saúde e como já estava habituada, sentiu todo o carinho e apoio dele. Também iria tentar alterar o percurso do voo de regresso e se possível ir ter com ela a Paris e regressarem depois juntos no mesmo avião para o Porto.
Já não quis sair para jantar, pediu que lhe servissem um chá no quarto e refugiou-se no silêncio questionando tudo que estava para trás.
Também se lembrou de Bernardo, mas estranhamente não sentiu a emoção do costume. Afinal nunca poderia contar com ele para partilhar fosse o que fosse da sua vida, a não ser momentos a dois. As outras horas, boas ou más, nunca poderiam ser divididas.
Questionou tudo. Aquele amor estranho que viviam não era senão um acto de egoísmo dos dois e por mais afinidades que pudessem ter, a partilha do resto das suas vidas não existia nem nunca poderia existir.
Naquela hora decidiu que tudo tinha de acabar entre eles. Era uma parte obscura que ele ocupava nela e que apesar de ser muito bom, tinha de ter um fim.
Mais que nunca tinha de se concentrar na família e na saúde da filha e isso era a prioridade do momento.
De qualquer forma ia tentar telefonar-lhe para explicar toda a situação e informa-lo das suas decisões. Começava a não ter sentido aquele ligação secreta e todos os riscos que corriam se fossem descobertos teriam um preço demasiado alto.
Como protecção tomou um ansíolitico, deitou-se e deixou que as lágrimas caíssem. O dia seguinte seria árduo e tinha de tentar descansar.
MIA
21 Novº2008
Era uma semana particularmente díficil profissionalmente, mas sobretudo porque tinha partido intranquila com a saúde da sua filha mais nova. Tinha-lhe sido detectado um nódulo no seio esquerdo, feito uma biópsia e ainda não sabia dos resultados.
Estava preocupadíssima e todo o optimismo que costumava ter em relação às mais variadas dificuldades, desta vez não existia. Sentia que algo de mau estava para acontecer. Nas poucas horas de lazer, refugiava-se no quarto do hotel e ficava prisioneira de maus pensamentos.
Desta vez não era com ela e sempre que a saúde dos filhos estava em causa não conseguia esconder a intranquilidade. Telefonava diàriamente à hora do jantar e naquela quarta-feira achava que ia ter a resposta que esperava.
Recusou ir com o grupo do costume jantar e como havia uma hora de diferença, esperou impacientemente para ligar para casa. Pelo tom de voz com que atenderam o telefone, percebeu de imediato que as notícias não eram boas. A filha em pranto deu-lhe a notícia que mais temia, tinha um carcinoma e era preciso agir rápidamente.
Queria acalma-la mas as palavras não saíam e àquela distância nem a mão lhe podia dar ou mesmo ajudar a secar as lágrimas. Sentiu o Mundo ruir...falou também com a filha mais velha a pedir ajuda e que ficassem o mais unidas possível até ao seu regresso. Iria antecipar a viagem e sexta à noite já estaria de novo em casa.
Quando desligou o telefone estava gelada e incapaz de pensar em mais nada, a não ser no regresso e nas medidas urgentes a tomar. Sentiu-se infinitamente só...
Telefonou ao companheiro que tinha aproveitado a ausencia profissional dela para ir à Grécia, visitar uma irmã que estava com problemas de saúde e como já estava habituada, sentiu todo o carinho e apoio dele. Também iria tentar alterar o percurso do voo de regresso e se possível ir ter com ela a Paris e regressarem depois juntos no mesmo avião para o Porto.
Já não quis sair para jantar, pediu que lhe servissem um chá no quarto e refugiou-se no silêncio questionando tudo que estava para trás.
Também se lembrou de Bernardo, mas estranhamente não sentiu a emoção do costume. Afinal nunca poderia contar com ele para partilhar fosse o que fosse da sua vida, a não ser momentos a dois. As outras horas, boas ou más, nunca poderiam ser divididas.
Questionou tudo. Aquele amor estranho que viviam não era senão um acto de egoísmo dos dois e por mais afinidades que pudessem ter, a partilha do resto das suas vidas não existia nem nunca poderia existir.
Naquela hora decidiu que tudo tinha de acabar entre eles. Era uma parte obscura que ele ocupava nela e que apesar de ser muito bom, tinha de ter um fim.
Mais que nunca tinha de se concentrar na família e na saúde da filha e isso era a prioridade do momento.
De qualquer forma ia tentar telefonar-lhe para explicar toda a situação e informa-lo das suas decisões. Começava a não ter sentido aquele ligação secreta e todos os riscos que corriam se fossem descobertos teriam um preço demasiado alto.
Como protecção tomou um ansíolitico, deitou-se e deixou que as lágrimas caíssem. O dia seguinte seria árduo e tinha de tentar descansar.
MIA
21 Novº2008
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