quarta-feira, 22 de abril de 2009

Há Dias...




Há dias,
em que a tristeza se instala
há outros,
que de tão tristes que são
fazem da tristeza dia
e há ainda outros
que sendo dia
se tornam nas noites mais tristes.

Há dias,
em que mesmo que o sol brilhe
são cinzentos, frios e distantes.
Outros dias
que por mais que se abata o céu
em bátegas de água pura
nem a alma sai lavada
ou mesmo a dor tem mais cura.

Há dias,
em que só apetece partir
e outros
em que o ter de ficar contrariada
torna a pena mais pesada
a dor mais sensível
e a cruz insuportável ...

Há dias,
que não são dias,
são tormento demasiado lento
que de tão lento que são
nem a morte esperaria...
Mas há outros dias,
que tendo um amanhã diferente
tirariam a dor à gente
para que a tristeza não doesse
como dói nesses dias.

22 Abril 2009
MIA

terça-feira, 3 de março de 2009

Entende o meu cansaço e
a dor de te ter e não ter...
Entende quando eu não digo
mas quero que ouças...
Entende que onde quer que
possa estar continuo contigo
e que só quando me fechas a
porta é que não entro...
Tenta entender
como todos precisamos de ti
mas não dessa maneira...
Ajuda-nos a viver ao teu lado
mas sem estas barreiras
que levantas...
Já que não me deixas entrar
no teu Mundo, sai dele
e vem viver no meu...
Tem sol, luar, arco-iris risonhos,
lágrimas, dor, alguma
filha da putice também,
mas tem cor, muita cor
e ás vezes até o cinzento
é bonito e o preto fica bem...
Tens sempre
os meus braços abertos para ti,
mas por favor não me vires
constantemente as costas...
Já estou cansada de não te saber ler
e não sei que mais hei-de fazer
para aprender...
Não quero desistir de aprender
mas por favor, abre-me o livro
no capítulo certo...
Estou cansada do virar da página
e não mudar de capítulo...
Não é distracção podes crer
talvez o texto das palavras
que não dizes
seja demasiado dificil
de entender...
mas eu quero lê-lo,
quero interpretar e se possivel
discuti-lo contigo...
Tenho medo de mim,
tens de me ajudar a não desistir também...
Volta de vez
para entenderes o meu cansaço...

Mummy
3 Mars 2009

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O meu amor, tem um jeito....

Depois da doença de Janine, Beatriz nunca mais foi a mesma.
Pediu uma licença sem vencimento e retirou-se para dar apoio à filha, mas também para pôr a sua vida em ordem. Tinha ficado demasiado instável e preocupada e sabia que só resolvendo o seu problema emocional, poderia ter paz para se dedicar por inteiro ao restante.
Começou por ganhar coragem e contar a Niarchos a sua traição, pois não conseguia ter paz e achava uma enorme injustiça mantê-lo na ignorância, principalmente pelo que ele representava na sua vida, mas também pela postura carinhosa e preocupada que ele mantinha com toda a sua família.
Mais uma vez Niarchos mostrou-se duma generosidade enorme e apesar da dor que sentiu, quis desculpar Beatriz do acontecido. Gostava demasiado dela para a perder, mas concordava que talvez agora pudesse instalar-se um sentimento de desconfiança que abalaria irremediàvelmente a relação.
De comum acordo, acharam por bem separar-se por uns tempos e nesse período ele aproveitaria para ir à Grécia tratar duns assuntos que já há algum tempo vinha adiando e também para ficar junto da família mais próxima. Deixariam para o seu regresso qualquer tomada de posição e até
lá, Beatriz poderia dedicar-se por inteiro a Janine.

MIA
13 Janº2009

sábado, 10 de janeiro de 2009

Momentos

Nesta noite tão fria
embalo-me no luar de Janeiro
e deixo-me ir no sonho
a caminho do nada
Atravesso fronteiras
mergulho em crateras
e procuro o outro lado da Lua
onde o ruído é o silencio
e o escuro a companhia
Tropeço nas linhas que traço
salto obstáculos imagináveis
e danço em lianas voadoras
ao som da violencia de Wagner
Sacudo a poeira do caminho
apanho de novo o regresso
e reencontro a Lua cheia
Deslizo pelo luar
visto-me de prata
e fico-me pela janela a sonhar.

MIA
10 Janº2009

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O mar, sempre o mar



quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

24 Dezembro

Hoje
lavei-me de lágrimas
penteei-me de cinza
vesti a fantasia
e fui por aí.
Embrenhei-me
na multidão
e quis sentir o momento
Nos rostos fechados
não vi alegria...
os olhares eram cansaço
e os presentes
fardos de obrigação
e até nas crianças
li a angústia
do presente certo.
Tanta gente e ninguém!
Dei voltas e mais voltas
e não vi o sentimento...
Separei emoções
desci de mim
e só por ti
quis que fosse Natal.

MIA
24Dezº2008

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

para o meu filho

Vieste nas asas do vento
ao meu encontro
e nos teus olhos
vi a lágrima do medo.
Estendi-te os braços
com ternura
e no teu sorriso
vi a esperança da vida.
Nas tuas dores
dei-te um arco-íris risonho
e sempre que o sol se pôs
a minha luz foi companhia.
No teu carinho
tive a doçura dos momentos
e no gargalhar de menino
o som da cascata cristalina...
Quis dar-te o Mundo
mas só consegui o amor
e esqueci que cresceste.
Tentei fechar portas e janelas
para não saires
mas só então percebi
que não eras meu
e que eras livre de voar.
Que o teu voo vá além do éter
e que mesmo no desencontro
o nosso amor seja ainda maior.

Mummy
22Dezº2008