quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ainda que...

Ainda que faminta
resisti ao teu olhar
e passeei-me por mares
navegados de estrelas

Ainda que triste
sorri ao luar
e da noite fiz
a mais linda madrugada

E ainda
que não seja Primavera
acariciei o teu rosto pálido
respirei fundo e voei!

MIA
23 Fevº 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

surpresa

Apareci
de surpresa no teu olhar
e foi tão de repente
que encerraste os olhos para me não ver

Só que
o tremor das tuas mão traíu-te
e então
guardei-te o beijo que esperavas

Cabisbaixo
coraste
mas não sorriste...

MIA
22 Fevº 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Por aí...

Arrastavam-se os meus olhos
pelo teu corpo feito ocaso
quando percebi
quão precoce te deixaste partir

Do teu olhar sem idade
brilhava a ausência
indiferente ao cair duma chuva
que há muito te vestia de negro

Já nem sombra eras...

Malditas as papoilas da tua agonia.

MIA
20 Fevº 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ausência

Vestiria
a poeira dos teus passos
na noite engalanada de estrelas

Despiria
o teu olhar cintilante
mesmo que nevasse lá fora

Seria de novo tua
ainda que soubesse
ser pela última vez

Mas já não me visto
nem me dispo
porque tu já não estás

MIA
17 Fevº 2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Escuridão

O mais profundo de mim
é o mar

Hoje tenebroso
amanhã talvez sereno
mas sempre agitado

Pareço lua
à procura das estrelas
logo hoje que não há luar

MIA
16 Fevº 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Uma carta de amor

Carta de Amor
Passatempo Clube dos Poetas Vivos (para dia de S. Valentin 2011)


"Uma carta de amor que nunca lerás"

Meu amor,
maldito aquele dia de Verão, em que tive a notícia da tua morte.

De repente o Sol fez-se noite e o meu coração, de tão apertado que ficou, quase deixou de bater.

Desculpa só ter percebido nessa hora o quanto te amava e o tanto que a tua perda me faria sofrer ao longo de toda a minha vida.Ainda hoje e ao fim de tanto tempo, sinto que este amor só foi interrompido e talvez um dia, não sem bem onde, nos voltaremos a encontrar para retomar o que nos roubaram de viver.

Quantas vezes ao olhar-me no espelho, me sinto presa no teu abraço e imagino o teu rosto por trás do meu, sorrindo no horizonte do teu olhar. E é então aí, que percebo sempre que o único que não envelheceu foste tu. E tenho cada vez mais pena!

Recordo a nossa despedida no cais, em que a neblina descia do nosso olhar e tu, ternamente me soltaste os cabelos, para escondermos os beijos sôfregos que não queríamos que ninguém visse, porque os tempos eram outros e o pudor de mostrar o que sentíamos era muito. Como se alguém à nossa volta se importasse com isso, uma vez que a despedida para a guerra era de todos e não só de nós.

Abraçavam-te os teus pais, os teus irmãos e tu sem nunca me largares, ali bem junto ao teu peito ouvindo o soluçar do teu coração, que escondias no sorriso e na promessa de voltares, mesmo que não fosse inteiro. E é essa imagem que perdura nos meus olhos até hoje. A despedida que não queríamos que acontecesse.

Depois foram as cartas e os aerogramas onde jurávamos amor eterno, que a ti te davam força e a mim, me faziam crescer rápido por ser ainda tão nova.

Até que um dia a tragédia aconteceu e a notícia espalhou-se mais rápido que o vento. Ficaria para sempre o incumprimento da tua promessa de voltares ao meus braços. Voltaste sim meu amor, mas envolto numa bandeira sangrando de cor e onde o verde da esperança já tinha desaparecido.

Houve uma nova despedida e desta vez deixei partir contigo um pedaço de mim, que tornou o meu olhar mais triste.

Demorei tempo para me encontrar e já se gritava liberdade quando voltei de novo a amar, sem saber muito bem a quem amava. Acabava sempre por sentir que só interromperam o nosso amor e que poderia ser reatado no tempo em qualquer momento, mas a realidade era bem diferente.

Quis amar desenfreadamente e perdi amores, amaram-me perdidamente e perdidos ficaram, até que me encontrei quando os filhos que não tivemos cresceram e me fizeram mais estável.

Mas ainda hoje meu amor, quando penso em escrever uma carta de amor, é sempre para ti que escrevo, mesmo sabendo que jamais a lerás e não preciso prometer nada, porque o meu amor por ti será eterno.

MIA
9 Fevº 2011

sábado, 29 de janeiro de 2011

O que será?

Sinto falta de alguma coisa.

Há algo que me escapa
mas que continuo à espera.

Talvez à espera
que nasça o mais forte
de todos os sentimentos
e que ainda não descobri.

É impossível
não haver algo mais
só que não sei onde está.

Morresse eu hoje
e partiria incompleta.

Porquê, não sei...

MIA
29 Janº 2011

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Já se foi a Lua-Cheia

Ás vezes distraio-me
e nem dou conta
de que durante alguns dias
espreitas à minha janela

Talvez porque não me importo
do teu "voyeurismo"
nem se me despes ou desejas

Mas logo hoje
que te queria ver e falar
afastei as cortinas
e não te senti por perto

Abri a janela de par em par
debrucei-me até quase cair
e nem um raio encontrei
até que senti um arrepio
que me fez gelar e pensar

Porque sou distraída?

MIA
28 Janº 2011

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Queria

Meu amor queria ser o sol
para te disfarçar as cicatrizes
ou também o luar
para te pratear o olhar
que deambula triste e perdido
nas noites de desassossego

Queria ser o caminho
onde as montanhas
fossem searas de trigo
e os campos de papoilas
a nossa cama de desejo
nos dias quentes de Verão

Queria ser o respirar
da nossa boca feito uma
só voz de liberdade
sem o sufoco dum grito
povoado de rouquidão
clamando pão e justiça

Queria ser eu em ti
e tu para sempre em nós
sem fantasmas de arrepiar.

MIA
26 Janº 2011

domingo, 23 de janeiro de 2011

Se

Se eu fosse MARIA
colher-te-ia no meu regaço
para tratar das feridas
que o teu coração tem
e que o vento
não é capaz de levar

Cantaria baixinho
canções de embalar
que tornariam
os teus sonhos mais puros
sem a dor
dum constante acordar

Trataria as chagas
esculpidas no teu ser
que transformam o teu olhar
em cristais perdidos
à procura do aconchego
dum colo cheio de amor

Se eu fosse MARIA
elevar-te-ia aos céus
sem medo nem dor
nem tufões de alma perdida
na plena tranquilidade
que só uma Mãe pode dar

MIA
23 Janº 2011