Jamais poderia amar a tua paleta
se nela não vislumbro o arco-íris
e o azul que pintas é tão igual
que é sempre em cinza que te leio
Rastejas por páginas virgens
que maculas de presenças
e sussurras gritos de coisa nenhuma
Pintas palavras a uma só cor
abanas as asas para te mostrar
só que não sabes voar...
E nós a termos de te aturar!
MIA
20 Abril 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Todos os dias
Todos os dias me deito
voando ao encontro da lua
que foge desesperadamente
ao encontro dum novo dia
Todos os dias me levanto
e me arrasto
e me desdenho
e me culpo
e me visto de pele de cordeiro
para morrer na Páscoa
a uma mesa desfeita de afectos
Todos os dias me desfaço
como o mar em plena praia
E todos os dias eu volto
ainda que queira partir...
MIA
19 Abril 2011
voando ao encontro da lua
que foge desesperadamente
ao encontro dum novo dia
Todos os dias me levanto
e me arrasto
e me desdenho
e me culpo
e me visto de pele de cordeiro
para morrer na Páscoa
a uma mesa desfeita de afectos
Todos os dias me desfaço
como o mar em plena praia
E todos os dias eu volto
ainda que queira partir...
MIA
19 Abril 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Que mais te posso dar?
Que posso eu dar-te
meu País esventrado
de fortuna e valores
se nada tenho além da palavra?
Paralisa-me como um grito
esse catecter enfiado nas veias
que te faz respirar em soluços
de olhar à volta e nada ver
Há muito te dei os cravos
e as rosas
e os botões de açucena
e os filhos pálidos de futuro...
Que mais te posso dar
para que não morras
como um velho há muito esquecido
se já nada tenho
além do orgulho de ser português?
Um novo Abril?
MIA
11 Abril 2011
meu País esventrado
de fortuna e valores
se nada tenho além da palavra?
Paralisa-me como um grito
esse catecter enfiado nas veias
que te faz respirar em soluços
de olhar à volta e nada ver
Há muito te dei os cravos
e as rosas
e os botões de açucena
e os filhos pálidos de futuro...
Que mais te posso dar
para que não morras
como um velho há muito esquecido
se já nada tenho
além do orgulho de ser português?
Um novo Abril?
MIA
11 Abril 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
As minhas mãos
Oh
Se das minhas mãos
saíssem palavras
levá-las-ia o vento
ao encontro do mar
Se das minhas mãos
nascesse a fartura
cresceriam celeiros
sem nunca acabar
Se das minhas mãos
brotasse o amor
jamais as crianças
haveriam de chorar
Se das minhas mãos
voasse a ternura
todos os velhos
teriam a quem amar
Se das minhas mãos
pudesse nascer o sol
só haveria luz
e o mundo seria melhor
Mas as minhas mãos
estão tristes e caladas
porque há muito caíram
mortas de cansaço
MIA
8 Abril 2011
Se das minhas mãos
saíssem palavras
levá-las-ia o vento
ao encontro do mar
Se das minhas mãos
nascesse a fartura
cresceriam celeiros
sem nunca acabar
Se das minhas mãos
brotasse o amor
jamais as crianças
haveriam de chorar
Se das minhas mãos
voasse a ternura
todos os velhos
teriam a quem amar
Se das minhas mãos
pudesse nascer o sol
só haveria luz
e o mundo seria melhor
Mas as minhas mãos
estão tristes e caladas
porque há muito caíram
mortas de cansaço
MIA
8 Abril 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Naufrágio
Mergulho em ti
como náufrago à deriva
em marés que de tão altas
rondam o infinito
e vou morrer
naquela praia longínqua
onde a espuma
que me sai da boca
é a rebentação do mar
A areia molhada
é o que resta dos meus olhos
MIA
7 Abril 2011
como náufrago à deriva
em marés que de tão altas
rondam o infinito
e vou morrer
naquela praia longínqua
onde a espuma
que me sai da boca
é a rebentação do mar
A areia molhada
é o que resta dos meus olhos
MIA
7 Abril 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
Só o presente
Por cada olhar teu
respirarei um poema
que tornará mais fértil
a doce madrugada
e na troca dum beijo
renascerá o sol
da manhã feita desejo
Por cada olhar meu
passará uma nuvem
disfarçada de esperança
que encerrará meus olhos
para que não leias
Por cada dia nosso
um presente sem futuro
MIA
5 Abril 2011
respirarei um poema
que tornará mais fértil
a doce madrugada
e na troca dum beijo
renascerá o sol
da manhã feita desejo
Por cada olhar meu
passará uma nuvem
disfarçada de esperança
que encerrará meus olhos
para que não leias
Por cada dia nosso
um presente sem futuro
MIA
5 Abril 2011
quarta-feira, 30 de março de 2011
Do outro lado
Tão escuro por aqui...
E este silêncio
de que tanto fugi
é que me veste
Não há rostos
nem mãos acenando
só corpos feitos pó voando
Os olhos
já não são olhos
só pirilampos difusos
Os corações partidos
deixaram de bater
os úteros de parir
e os varões
já nem são assinalados
Toca-me um arrepio
Serás tu?
Esvoaço
na procura do teu cheiro
e não encontro
Pela primeira vez
desisto
Vou descansar em paz...
MIA
30 Mars 2011
E este silêncio
de que tanto fugi
é que me veste
Não há rostos
nem mãos acenando
só corpos feitos pó voando
Os olhos
já não são olhos
só pirilampos difusos
Os corações partidos
deixaram de bater
os úteros de parir
e os varões
já nem são assinalados
Toca-me um arrepio
Serás tu?
Esvoaço
na procura do teu cheiro
e não encontro
Pela primeira vez
desisto
Vou descansar em paz...
MIA
30 Mars 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
Instabilidade
Aprendi
no cansaço das horas
a instabilidade do tempo
É a chuva que cai
e o vento que passa
arrancando a pequena flor
dos braços de sua mãe
É o sol ausente
de ainda não ter chegado
É a lágrima
banhando um rosto de mulher
É a dor cinzenta
sem tempo para sorrir
É o mau tempo
acampado no jardim da Primavera
dum país sem norte...
MIA
28 Mars 2011
no cansaço das horas
a instabilidade do tempo
É a chuva que cai
e o vento que passa
arrancando a pequena flor
dos braços de sua mãe
É o sol ausente
de ainda não ter chegado
É a lágrima
banhando um rosto de mulher
É a dor cinzenta
sem tempo para sorrir
É o mau tempo
acampado no jardim da Primavera
dum país sem norte...
MIA
28 Mars 2011
domingo, 27 de março de 2011
Sem SOL
Manda-me um beijo
embrulhado pelas nuvens
mas manda-me um beijo
Um beijo
que preencha o tempo
da hora desaparecida
e que não sei
se voltarei a encontrar
Só queria um beijo
pendurado num raio
que me aquecesse a alma
fria e deserta de ti.
MIA
27 Mars 2011
embrulhado pelas nuvens
mas manda-me um beijo
Um beijo
que preencha o tempo
da hora desaparecida
e que não sei
se voltarei a encontrar
Só queria um beijo
pendurado num raio
que me aquecesse a alma
fria e deserta de ti.
MIA
27 Mars 2011
sábado, 26 de março de 2011
Amargura
Esta amargura
esta dor que me dói de tão pura
nasce quando morre o dia
Banho de mel envenenado
em pele seca que já não cabe
num corpo pretérito de perfeito
Uma amargura travestida
de sinfonia de dias sem sol
MIA
26 Mars 2011
esta dor que me dói de tão pura
nasce quando morre o dia
Banho de mel envenenado
em pele seca que já não cabe
num corpo pretérito de perfeito
Uma amargura travestida
de sinfonia de dias sem sol
MIA
26 Mars 2011
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