sábado, 17 de dezembro de 2011

Azul celeste

Quando a luz se apaga
acende-se o fogo
que queima o destino
embrulhado de cetim

Ficam as cinzas
manchadas de pecado
que uma corrente de ar
levará para lá da janela
aberta de imaginação
tornando as noites frias
em dias quentes de Verão

O amanhecer
vestir-se-á de azul celeste

MIA
17 Dezº. 2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

E se assim fosse, haveria sempre Natal

Meu amor, se soubesse
que o meu mundo ia acabar
dáva-te o sol e o luar
e os campos de trigo
que estão por semear

Dos sorrisos sem esmalte
cresceriam papoilas
e por trás das pestanas
abrir-se-iam janelas
por onde as andorinhas
pudessem entrar

Seriam cravos ou rosas
flores de todas as cores
a crescer no arco íris
onde o preto nunca se vê.

MIA
14 Dezº. 2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Horas mortas nas cores do arco-íris

Todas as horas mortas
são minhas
quando a tua ausência
bate para lá da porta

Já nada me dói
a não ser o teu amor
que me queima o corpo
muito antes do sol nascer
e os teus dedos gelados
acordam o meu peito
como se não houvesse amanhã

Não sei se vestirei
as cores do arco-íris
mas quando a noite chegar
voltarei a morrer nos teus abraços
e tu, no amor que me sufoca.

MIA
9 Dezº.2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Campos de silêncio e morte

Visitei campos de morte
onde só as flores suspiram
ao cair por terra
parecendo desgosto

São campos de silêncio
trémulos de luz e saudade
dum amor inacabado
de sonhos para nunca mais

E ao lado da foto
da criança que não foi
ouvi o choro duma Mãe
de olhos vestidos de negro.

MIA
23 Novº. 2011

Para lá do arco-íris

Lê-me os silêncios
na transparência dum olhar ausente
de quem ama o longe
e se perde de desejo por um amor
que de tão perto
sufoca a aragem dos dias frios de Outono

Lava-me das gotas de chuva
que o meu corpo encharca de temporais
quando a alma de despe e transparece
da cor púrpura da paixão
com sabor a rosas e chocolate quente
desfeito nas noites de Inverno

Lê-me
e leva-me para lá do arco-íris
enquanto o Sol fica à espreita

MIS
23 Novº.2011

Porquê, a lágrima?

Porquê a lágrima
perdida na noite sem alvorada
desfeita no teu peito luzente
dum amor mais belo
que me há-de guardar
para lá da morte nunca esperada?

Porquê a lágrima
enrolada de mar e sal
do soluçar contido no silêncio
quebrado de ais e sucos
nos abraços da dor
que sempre paira no amor?

Porquê a lágrima?

Será... já... de saudade?

MIA
23 Novº. 2011

terça-feira, 22 de novembro de 2011

nascerão sempre flores

Leva-me
nas asas dum poema
cheio de lágrimas
e claves de sol
onde dançarão as cinzas
no abraço dos fantasmas

Poderei sempre voltar
no coração de quem me ama
ainda que o pó se arraste
nos caminhos da saudade

À beira do precipício
nascerão sempre flores

MIA
22 Nov. 2011

nada haveria sem TI

Nada
poderias ser TU

Nem rios
nem mares
nem continentes
nem asas voando

TU
simplesmente TU
em mim
como se nada mais houvesse
para além de TI

MIA
22 Novº 2011

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Chaminés de Ponta Delgada

Em silêncio
como sentinela vigilante
em campos de guerra
levantam-se por entre nuvens
e ficam especadas
com os olhos fora das órbitas
espreitando
como se o perigo viesse do mar

São assim
as chaminés de Ponta Delgada
vistas da "minha" janela
quando levanta a neblina
nos dias em que o sol
só nasce à tardinha

MIA
3 Novº 2011

Não quero falar de futuro

Meu amor
porque vieste hoje
falar de futuro
se eu só queria ouvir
o silêncio das horas mortas?

A manhã nasceu
alagada de lágrimas
e chorou
chorou tanto
que os olhos se afogaram
onde há muito
os pés tinham naufragado

Logo hoje
quiseste falar de amor
quando eu só queria
o silêncio dos tristes
no derradeiro soluço do sol

MIA
3 Novº.2011