segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Podia ser um conto de Natal

 Para a minha neta Matilde

...

Primeiro
foram os mares
e os peixes sufocados de riso
porque as sereias
se puxavam os cabelos
e queriam saber
o porquê
de terem engordado

Depois
os ovos das tartarugas
espalhados pela areia
à espreita do Sol
e dos dias
e das noites
e dos temporais
e do amor entre os homens

Depois
as princesa e os sapos
os duendes e os anões
e os homens já crescidos
sempre à procura de mais

Depois...

Depois, meu amor
foste tu
nascida de esperança
à espera do primeiro Natal

E depois
querida Matilde
foi o teu sorriso
e o brilho inocente do teu olhar
que as águas turvas dos rios
 nunca deixarei apagar

E depois
ainda depois
serão os dias
e as noites
e os anos
e a saudade...

Um beijo
MIA
17 Dezº 2012

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ontem

Ontem...

E o dia
tão triste
abraçou a noite
e partiu
como se fosse morte...

Hoje...

Regressou alegre
sem ser
ao terceiro dia
para partir de novo
à procura das estrelas.

MIA
7 Dezº 2012

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Amores de Outono

Ama-me
a alma
que o corpo jaz
de arrefecidos desejos

Ama-me
o olhar
perdido de vista
e de ilusão

Ama-me
em todas as palavras
e
gestos
e
lágrimas
e
suspiros
que não são ais

Continua a amar-me
muito além do nevoeiro
que as manhãs
frias de Outono vestem

MIA
22 Novº 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Idade

Carrego-te

Como se fosses
 tempo
ou
pele
ou
morada
onde a luz
simplesmente
fosse noite

Carrego-te

Até ao dia
em que o Sol
lentamente
ou cheio depressa
ficará para sempre
deitado
sem mais amanhã

Carrego-te
muito além do arco-íris

MIA
7 Novº. 2012










quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Tempestade

Sossegou a noite
mas mesmo assim
tive medo
que o Mundo acabasse
sem que o Sol
voltasse a nascer

Ficou a chuva
para lavar a mágoa
desta tristeza que nos veste
e diariamente
nos deixa mais pobres

Há muito
que dos olhos
partiu o cristalino...

MIA
24 Outº 2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Não fosse o teu olhar

Meu amor
não fosse o teu olhar

e já não haveria searas
nem flores
nem canções

e só os rios
transbordariam de desilusão

Não fosse o teu olhar

e o rosto das crianças
vestiria de gelo
as manhãs por onde passam
descalças
em direcção ao futuro

Meu amor
não fosse o teu olhar

e este Outono
seria para sempre cadáver.

MIA
18 Outº.2012


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Setembro

...e os próximos versos
chegarão com as águas
os frios
e as manhãs
acordadas em correria

o sol
dormirá mais cedo
o pastel
vestirá os sentidos
a as árvores
baixarão os braços
em noites
onde o silêncio
deixará dormir
os meninos descansados

3 Setº 2012
MIA

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

 Por aí

Apregoa o velho louco
palavras que rimam
despidas de poesia

Não sabe
se vem
se vai
porque partiu
ou
porque a voz lhe dói
quando amanhece
ou
o sol se põe
na vida de quem cruza

Põe-se em pé
mas só rasteja
e desfaz-se como as marés
que o nevoeiro esconde
em dias que o sol
acorda
demasiado tarde

Mesmo assim
continua
a apregoar palavras
que soam a canto
desencantado

MIA
24 Agosto 2012

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Na cruz

Todas as cruzes
tem braços abertos
para a dor morrer
de tanto querer

Ao seus pés
jazem fios de cabelo
tingidos da cor da paz
que uma Mãe desfia pelos dedos
cansados de se benzer
e todos os dias
em cada entardecer
olhará o céu para perguntar
porque todas as cruzes
são tão pesadas

E jamais terá resposta

28 Julho 2012

Todos os verbos

Piorei
e muito
em tudo aquilo
que já (não) sentia

No rigor
na postura
e até
numa certa dor
que há muito
não aparecia

Todos os verbos
continuam lá
mas só
o contemplar
me apetece
e o crescer
duma certa FLOR
me fascina.

MIA
28 Julho 2012