Meu amor
tanto de nada sou
quando sufoco nos teus braços
musculados de marés altas
e me deixo levar pela noite
equatorial dos sentidos
Tanto de nada sou
meu amor
quando tudo é tanto
o que voando sentimos
e nos desfazemos na praia
de lençóis feitos espuma
Tanto de nós é tudo
quando o amor é azul
MIA
30 Abril 2011
sábado, 30 de abril de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
25 Abril 1974/2011
Já não sei se terias nascido
nesse secreto amanhecer
se a guerra não tivesse levado
os filhos que tanta falta faziam
Do troar da canção
nasceu um país de esperança
no coração dum povo
vestido de cravos vermelhos
sem tempo para morrer
Mas tal como as flores
neste jardim de Abril plantado
os sonhos morrem de côr
no meu país de todos os dias
onde o trigo é o inverso do sol
Renovem-se as canções
dum país há muito sonhado
onde os vampiros se acoitam
por trás de opacas vidraças.
MIA
25 Abril 2011
nesse secreto amanhecer
se a guerra não tivesse levado
os filhos que tanta falta faziam
Do troar da canção
nasceu um país de esperança
no coração dum povo
vestido de cravos vermelhos
sem tempo para morrer
Mas tal como as flores
neste jardim de Abril plantado
os sonhos morrem de côr
no meu país de todos os dias
onde o trigo é o inverso do sol
Renovem-se as canções
dum país há muito sonhado
onde os vampiros se acoitam
por trás de opacas vidraças.
MIA
25 Abril 2011
Aquele 25 de Abril tão triste
Corri como há muito não fazia
julgando que o teu abraço
aberto de saudade
ainda me esperaria
Mas cheguei tão tarde
que só o gelo do teu corpo
pude sentir nas minhas mãos
quando tocaram a cruz das tuas
O silêncio fez-se pranto
e num desfazer de lágrimas
nada mais me restou
que molhar-te o rosto
já guardado numa caixa
que não era de cristal
Ficou-me a dor
das palavras que não ouviste
naquele dia 25 de Abril
que se encheu de flores
para te ver partir
E já foi há tanto tempo
e por tanto tempo
que ainda hoje
me embrulho de saudade.
Um beijo
MIA
25 Abril 2011
julgando que o teu abraço
aberto de saudade
ainda me esperaria
Mas cheguei tão tarde
que só o gelo do teu corpo
pude sentir nas minhas mãos
quando tocaram a cruz das tuas
O silêncio fez-se pranto
e num desfazer de lágrimas
nada mais me restou
que molhar-te o rosto
já guardado numa caixa
que não era de cristal
Ficou-me a dor
das palavras que não ouviste
naquele dia 25 de Abril
que se encheu de flores
para te ver partir
E já foi há tanto tempo
e por tanto tempo
que ainda hoje
me embrulho de saudade.
Um beijo
MIA
25 Abril 2011
sábado, 23 de abril de 2011
Um sonho de Páscoa adormecido
O sonho não acordou hoje
da névoa que esperava o tempo
e ficou adormecido
como o céu em plena Páscoa de Abril
Embalado nos meus braços
paralisados de carinho
deixei-o dormir
como se amanhã não houvesse
e o chão se abrisse
em cratera de vulcão adormecido
Estava cansado de mim
e eu cansada de sonhar...
MIA
23 Abril 2011
da névoa que esperava o tempo
e ficou adormecido
como o céu em plena Páscoa de Abril
Embalado nos meus braços
paralisados de carinho
deixei-o dormir
como se amanhã não houvesse
e o chão se abrisse
em cratera de vulcão adormecido
Estava cansado de mim
e eu cansada de sonhar...
MIA
23 Abril 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Um poema de Páscoa
Vou-te falar dum segredo
que sendo só meu
posso contar ao vento
É daquele poema guardado
numa caixinha de cristal
que quando lhe dou corda
liberta a bailarina feliz
que roda, roda sem parar
Já sei de cor as palavras
e como Margot enfeitiçada
deixo-me levar pela música
embrulhada nos teus braços
até o dia nascer
De tanto rodopiar
cai o suor dos meus olhos
que gota a gota
molha o tule do meu vestido
que o tempo teima em rasgar
É o segredo que guardo
dum poema de Páscoa
na caixinha de música
que há muito tempo me deste
e que às vezes ponho a tocar
MIA
21 Abril 2011
que sendo só meu
posso contar ao vento
É daquele poema guardado
numa caixinha de cristal
que quando lhe dou corda
liberta a bailarina feliz
que roda, roda sem parar
Já sei de cor as palavras
e como Margot enfeitiçada
deixo-me levar pela música
embrulhada nos teus braços
até o dia nascer
De tanto rodopiar
cai o suor dos meus olhos
que gota a gota
molha o tule do meu vestido
que o tempo teima em rasgar
É o segredo que guardo
dum poema de Páscoa
na caixinha de música
que há muito tempo me deste
e que às vezes ponho a tocar
MIA
21 Abril 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Recado
Jamais poderia amar a tua paleta
se nela não vislumbro o arco-íris
e o azul que pintas é tão igual
que é sempre em cinza que te leio
Rastejas por páginas virgens
que maculas de presenças
e sussurras gritos de coisa nenhuma
Pintas palavras a uma só cor
abanas as asas para te mostrar
só que não sabes voar...
E nós a termos de te aturar!
MIA
20 Abril 2011
se nela não vislumbro o arco-íris
e o azul que pintas é tão igual
que é sempre em cinza que te leio
Rastejas por páginas virgens
que maculas de presenças
e sussurras gritos de coisa nenhuma
Pintas palavras a uma só cor
abanas as asas para te mostrar
só que não sabes voar...
E nós a termos de te aturar!
MIA
20 Abril 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Todos os dias
Todos os dias me deito
voando ao encontro da lua
que foge desesperadamente
ao encontro dum novo dia
Todos os dias me levanto
e me arrasto
e me desdenho
e me culpo
e me visto de pele de cordeiro
para morrer na Páscoa
a uma mesa desfeita de afectos
Todos os dias me desfaço
como o mar em plena praia
E todos os dias eu volto
ainda que queira partir...
MIA
19 Abril 2011
voando ao encontro da lua
que foge desesperadamente
ao encontro dum novo dia
Todos os dias me levanto
e me arrasto
e me desdenho
e me culpo
e me visto de pele de cordeiro
para morrer na Páscoa
a uma mesa desfeita de afectos
Todos os dias me desfaço
como o mar em plena praia
E todos os dias eu volto
ainda que queira partir...
MIA
19 Abril 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Que mais te posso dar?
Que posso eu dar-te
meu País esventrado
de fortuna e valores
se nada tenho além da palavra?
Paralisa-me como um grito
esse catecter enfiado nas veias
que te faz respirar em soluços
de olhar à volta e nada ver
Há muito te dei os cravos
e as rosas
e os botões de açucena
e os filhos pálidos de futuro...
Que mais te posso dar
para que não morras
como um velho há muito esquecido
se já nada tenho
além do orgulho de ser português?
Um novo Abril?
MIA
11 Abril 2011
meu País esventrado
de fortuna e valores
se nada tenho além da palavra?
Paralisa-me como um grito
esse catecter enfiado nas veias
que te faz respirar em soluços
de olhar à volta e nada ver
Há muito te dei os cravos
e as rosas
e os botões de açucena
e os filhos pálidos de futuro...
Que mais te posso dar
para que não morras
como um velho há muito esquecido
se já nada tenho
além do orgulho de ser português?
Um novo Abril?
MIA
11 Abril 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
As minhas mãos
Oh
Se das minhas mãos
saíssem palavras
levá-las-ia o vento
ao encontro do mar
Se das minhas mãos
nascesse a fartura
cresceriam celeiros
sem nunca acabar
Se das minhas mãos
brotasse o amor
jamais as crianças
haveriam de chorar
Se das minhas mãos
voasse a ternura
todos os velhos
teriam a quem amar
Se das minhas mãos
pudesse nascer o sol
só haveria luz
e o mundo seria melhor
Mas as minhas mãos
estão tristes e caladas
porque há muito caíram
mortas de cansaço
MIA
8 Abril 2011
Se das minhas mãos
saíssem palavras
levá-las-ia o vento
ao encontro do mar
Se das minhas mãos
nascesse a fartura
cresceriam celeiros
sem nunca acabar
Se das minhas mãos
brotasse o amor
jamais as crianças
haveriam de chorar
Se das minhas mãos
voasse a ternura
todos os velhos
teriam a quem amar
Se das minhas mãos
pudesse nascer o sol
só haveria luz
e o mundo seria melhor
Mas as minhas mãos
estão tristes e caladas
porque há muito caíram
mortas de cansaço
MIA
8 Abril 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Naufrágio
Mergulho em ti
como náufrago à deriva
em marés que de tão altas
rondam o infinito
e vou morrer
naquela praia longínqua
onde a espuma
que me sai da boca
é a rebentação do mar
A areia molhada
é o que resta dos meus olhos
MIA
7 Abril 2011
como náufrago à deriva
em marés que de tão altas
rondam o infinito
e vou morrer
naquela praia longínqua
onde a espuma
que me sai da boca
é a rebentação do mar
A areia molhada
é o que resta dos meus olhos
MIA
7 Abril 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
Só o presente
Por cada olhar teu
respirarei um poema
que tornará mais fértil
a doce madrugada
e na troca dum beijo
renascerá o sol
da manhã feita desejo
Por cada olhar meu
passará uma nuvem
disfarçada de esperança
que encerrará meus olhos
para que não leias
Por cada dia nosso
um presente sem futuro
MIA
5 Abril 2011
respirarei um poema
que tornará mais fértil
a doce madrugada
e na troca dum beijo
renascerá o sol
da manhã feita desejo
Por cada olhar meu
passará uma nuvem
disfarçada de esperança
que encerrará meus olhos
para que não leias
Por cada dia nosso
um presente sem futuro
MIA
5 Abril 2011
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